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Os Santos Padres - mestres e defensores da fé cristã

 Imprimir Dimitrios Attarian | 01/10/2008 A | A
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Existe na Igreja um grupo de santos teólogos e mestres espirituais que defenderam e explicaram a doutrina da fé cristã. Estes santos são chamados de Santos Padres da Igreja e seus ensinamentos de Patrística.

Alguns destes santos se chamam Apologétas porque defenderam os ensinamentos cristãos contra aqueles que, desde fora da Igreja, ridicularizavam e atacavam a Fé. Seus escritos se denominam de “apologias”, que quer dizer “respostas ou defesas”.

Outro grupo de Santos Padres defendeu a fé cristã contra certos membros da Igreja que deformaram a verdade e a vida do cristianismo, escolhendo certas partes da revelação e da doutrina em detrimento das demais e negando outros aspectos. Aqueles que deformaram ou negaram a fé cristã desta forma destruindo assim a integridade da Igreja se chamam hereges e suas doutrinas, heresias. Por definição heresia significa “seleção” e um herege é aquele que, segundo suas próprias idéias e opiniões, elege certas partes da Tradição cristã repudiando as outras. Por suas ações, um herege não somente destrói a plenitude da verdade cristã, senão que também danifica a vida da Igreja causando divisão na comunidade.

Geralmente a tradição ortodoxa considera que aqueles que ensinam heresias não estão somente equivocados ou mau guiados, senão que também são ignorantes. A Igreja os acusa de estar ativamente conscientes de suas ações e, portanto, em estado de pecado. Não se considera como herege, no verdadeiro sentido da palavra, à pessoa que está simplesmente equivocada ou que ensina segundo sua crença ser a verdade sem que ninguém se oponha a seus possíveis erros. Muitos dos Santos Padres e outros santos têm elementos em seus ensinamentos que cristãos de épocas posteriores consideraram como falsos ou inexatos. Isto, por suposto, não significa que foram hereges.

Nem todos os Santos Padres foram defensores contra a falsidade ou heresia. Alguns foram mestres importantes da fé cristã, desenvolvendo e explicando seu significado de uma maneira mais profunda e mais completa. Outros foram mestres da vida espiritual, instruindo aos fiéis sobre o método e o significado da união com Deus mediante a oração e a vida cristã. Os mestres que se dedicaram a fortalecer a vida espiritual se chamam “Padres Ascetas”. O ascetismo se refere ao exercício e preparação dos “atletas espirituais”. Os Padres que se esforçaram em conseguir uma maior união espiritual com Deus se chamam “Padres Místicos”. Define-se o misticismo como a viva e verdadeira união com Deus.

Todos estes santos sejam eles, teólogos, pastores, ascetas ou místicos, receberam e entregaram seus ensinamentos das fontes da experiência de sua própria vivência cristã. Eles defenderam, descreveram e explicaram as doutrinas teológicas e os caminhos da vida espiritual por seu próprio e vivo conhecimento destas realidades. Ajuntaram o brilho do intelecto com a pureza de alma e a retidão de vida.

Os escritos dos Padres da Igreja não são infalíveis, e ainda mais, se diz que em alguns deles se poderiam encontrar aspectos questionáveis à luz da plenitude da Tradição da Igreja. No entanto, tomados na sua totalidade, seus escritos, construídos sobre os fundamentos bíblicos e litúrgicos da fé e vida cristãs, têm uma grande autoridade dentro da Igreja Ortodoxa e são como fontes primárias para o descobrimento da doutrina da Igreja.

Os escritos de alguns daqueles Santos Padres, que receberam a aprovação universal e o louvor da Igreja durante séculos e que tem uma particular importância, são os de Ignácio de Antioquia, Irineu de Lyon, Atanásio de Alexandria, Basílio Magno, Gregório de Nísia, Gregório o Teólogo, João Crisóstomo, Cirilo de Alexandria, Cirilo de Jerusalém, Maximo o Confessor, João Damasceno, Fócio de Constantinopla e Gregório Palamás. Entre os Padres ascetas e espirituais se destacam os escritos de santo Antonio do Egito (santo Antão, Pai dos monges), Macário do Egito, João Clímaco, Isaac da Síria, Efrém o Sírio, Simeão o novo teólogo e outros.

Às vezes nos pode parecer difícil ler os escritos dos Padres da Igreja, já que os problemas tratados por eles eram muito complicados e sua maneira de escrever muito diferente do nosso estilo. Ademais, a maioria dos escritos espirituais e ascéticos propõe um ambiente monástico, devendo ser transpostos a nossa realidade afim que sejam compreensíveis e utilizáveis por aqueles que não são monges. No entanto, é de suma importância ler os escritos dos Padres da Igreja diretamente, sem pressa, com um pensamento atento, muita meditação e sem chegar a rápidas conclusões, da mesma maneira que quando lemos a Bíblia Sagrada.

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Monsenhor Dimitrios Attarian
Vigário da Catedral Ortodoxa Antioquina de São Paulo e secretário do Arcebispado. Ministra varios cursos de Ecumenismo e é professor de história e doutrina ortodoxa no Seminário da Congregação dos Legionários de Cristo em Itapecirica da Serra.
monsenhor@arabesq.com.br

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