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A Espanha Mourisca e Recordando Sherazade - Por Roberto Ganem

 Imprimir Arabesq | 17/02/2012 A | A
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Na Espanha, a atual Andaluzia, outrora chamada de Bética, era talvez sua mais rica província. Ela fornecia a Roma cereais, os melhores vinhos e figuras insignes como o filósofo Sêneca e os imperadores Adriano e Trajano.

Pouco depois do ano 700 acontecia uma infindável disputa pelos territórios e pelas riquezas entre os Visigodos, invasores bárbaros.

A facção dos mais oprimidos conseguiu que 8.000 homens provenientes do Marrocos e da Mauritânia cruzassem os 20 km do estreito de Gibraltar para vir defendê-los.

Estes homens eram bérberes que nem o árabe falavam, pois o Islamismo não havia ainda chegado ao norte da África. Isto só veio a acontecer, de uma forma marcante, com a presença de Abd Al-Rahman, um notório príncipe da dinastia Omíada em damasco.

Muito determinado, ele criou “Al - Andaluz” um emirado autônomo e o fez crescer para além dos Pirineus até o sul da França.

Explosão cultural

Os anos de ouro deste novo país viria por volta de 930, com o surgimento do expressivo Califado de Córdoba, que se transformou no mais notável pólo de cultura da Europa medieval. Enquanto algumas das principais capitais Européias lutavam para sair das trevas da Idade Média, a cidade de Córdoba já possuía 3 universidades, 80 colégios, 800 banhos públicos, 110 mesquitas e bem mais de 700 mil volumes. Suas ruas contavam com iluminação pública e suas escolas fizeram desenvolver os maiores médicos e pensadores da época, como Averróis, que sistematizou o pensamento de Aristóteles e Maimônides, o mais sábio filósofo judeu da época.

Havia então, nesta sociedade Islâmica que se formou, uma considerável tolerância permitindo a convivência com cristãos e judeus sefarditas.

Influência:

É sabido que os Árabes influenciaram enormemente os povos da Europa na vestimenta, na comida e até no pensar.

Introduziram no continente a bússola, o astrolábio, a roda d’água, a sala de jantar.

Mostraram que as roupas podiam servir também para tornar as pessoas mais belas e não somente para protegê-las das intempéries.

Difundiram na Espanha e para o resto do mundo o arroz, a laranja, o açúcar, o algodão, perfumes como o almíscar e o sândalo, temperos como a canela, a noz-moscada e o gengibre.

No século onze entra em decadência o califado de Córdoba e Al-Anadaluz se divide em taifas, pequenos reinos independentes.

Surge em Granada como que a ressurreição deste califado, fazendo desenvolver semelhante riqueza e possibilitando um novo florescimento intelectual.

Na arquitetura temos ainda para ver o Albaicín, um povoado com ruas íngremes que fica aos pés da fortaleza - palácio de “Alhambra”.

Aí viviam os sultões cercados do maior conforto que a época podia lhes oferecer.

As fontes de água sofisticadíssimas criavam, conforme regulagem, diferentes sonoridades.

As piscinas espelham ainda o castelo sustentado por soberbas colunatas adornadas com figuras geométricas lembrando os arabescos e também o céu rubro do entardecer que inunda o rico cenário de cores inebriantes.

Cenário de sonho que nos leva de volta à longínqua época dos envolventes contos das “Mil e uma Noites”.

Sherazade:

Não será demais relembrar aqui as origens da neurose homicida do poderoso rei persa “Xarriar”.

Tendo constatado que sua esposa e outras concubinas o traiam quando se ausentava em viagem, este rei passou a adotar uma atitude drástica e vingativa.

Impunha que viesse a ele (a cada noite) uma mulher desejável. Fazendo amor com ela, deixava que fosse decapitada logo pela manhã. Assim a pobrezinha não haveria jamais de traí-lo.

Depois de uma centena desta prática calamitosa surgiu Sherazade, filha do 1º ministro do reino, oferecendo-se para enriquecer as noites de “Xarriar” com as histórias fantásticas e mirabolantes que só ela sabia contar.

O rei, fascinado com a imaginação daquela mulher dócil e também muito sensual, apaixonou-se por ela acabando por livrar-se daquela sua terrível neurose. Passou, ao contrário, a ajudar a muitos dentre o seu povo a superar as mais terríveis dificuldades para poder sobreviver.

Sherazade, além de precursora da tele-novela, pode também ser considerada como a primeira psicóloga da história.

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COMENTÁRIOS
 
lindalva genuino 7/29/2012 3:17:53 PM
muito interessante o começo desta história e as mudanças cultuais ocorridas no passar dos tempos. Aprendi muito com o artigo. Att, lindalva

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