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Finanças islâmicas pt-3 (Takaful e Seguros)

 Imprimir Arabesq | 02/05/2009 A | A
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Consciência Jeans

[Página Anterior] ...A cobertura Takaful tem origem nas cooperativas de navegadores [ing. seafaring mutuals] árabes (não muito diferentes das cooperativas de baleeiros, séculos depois, das comunidades Quaker em New Bedford e Nantucket). É um pequeno setor do negócio global de seguros, que já prospera na Malásia, e cujos defensores dizem que prospera, de fato, em todo o mundo. Na Inglaterra, que muito se orgulha de seu multiculturalismo e – quase na mesma medida – de seus serviços financeiros, o seguro takaful tem sido estimulado pelo ministério do Comércio e Investimento, pelo Chartered Insurance Institute e pelo prefeito de Londres. Como todos os produtos aprovados pela Xaria na Inglaterra – e em todo mundo, pelo que sei –, é modalidade de seguro acessível também para não-muçulmanos.

Um intelectual muçulmano disse-me que esse tipo de cobertura securitária já é usada em 16-20% da clientela islâmica nos negócios de varejo na Inglaterra. Ninguém precisa saber recitar a Shahada [6] se quiser obter um empréstimo pelos padrões da Xaria no Islamic Bank of Britain, Lloyds TSB ou em qualquer dos bancos da Arab Banking Corporation que operam na Inglaterra.

A ideia de que o seguro convencional seja uma aposta é levada a sério, muitas vezes até a extremos. Até ser proibido de voltar à Inglaterra em 2005, dizia-se que Omar Bakri Muhammad, dirigia sem seguro pelo país, confiado em que a política de haver uma 'terceira' parte, como no caso dos seguros de carros vendidos pelas empresas Kwik Fit ou AA, sempre seria uma abominação aos olhos de Deus. Como propagandista do [partido] Hizb al-tahrir [7] e, depois, estrela do Al-Muhajiroun [8], Bakri sempre foi homem profundamente ligado à Xaria, mesmo enquanto foi hóspede do Home Office. Muitos muçulmanos ingleses, satisfeitos por vê-lo pelas costas, entenderam que o risco que corria ao não aceitar qualquer seguro também era, em si, uma espécie de jogo, no qual ele apostava sua fé contra as leis do país em que estava. É possível que, se ainda andasse por aí, se interessasse pelo primeiro esquema aprovado pela Xaria para seguros de carros, oferecido pela empresa Salaam Halal Insurance, lançado no verão passado (as recepcionistas dão informações "em inglês, árabe, bengali, gujarati e urdu").

As modalidades de negócios aprovados pela Xaria não estão prosperando nem só na Inglaterra nem só no setor de serviços bancários. Nos últimos dez anos tem havido importante crescimento em várias modalidades de seguros construídos pelos princípios da Xaria também para empresas e investidores institucionais em várias partes do mundo onde seja importante considerar princípios religiosos também nos negócios. Há importante novidade, aí.

Nos anos 70s, quando os Estados produtores de petróleo estavam carregados de dinheiro, ninguém jamais se preocupou com a sangria de dólares trocados por bônus do Tesouro dos EUA, nem com os juros aí envolvidos; além do mais, não havia alternativa para os seguros convencionais. Esse quadro mudou muito, hoje.

A Malásia oferece ricas oportunidades para investidores que se disponham a deixar-se reger pelos princípios da Xaria; na Europa, o "German Land of Saxony-Anhalt" lançou, em 2004, o primeiro título islâmico público; e o Tesouro Britânico também considera a possibilidade de lançar papéis aprovados pela Xaria. Quanto a paridades, não há mais qualquer dificuldade de cálculo. O Dow Jones Islamic Market (DJIM) começou a operar em 1999: hoje, tem dúzias de índices e lista centenas de empresas cujos produtos e papéis são aprovados por comissões de especialistas nos fundamentos e interpretações da Xaria.

Os Estados podem resolver desvalorizar suas respectivas moedas, ou privatizar suas respectivas telecomunicações. Mas não parece que, em futuro próximo, decidam adotar plenamente os regulamentos da Xaria.

Até a alguns anos, todo o sistema bancário do Sudão... [Próxima Página]

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Referencias:

[6] A Shahada [do verbo šahida = "dar testemunho", "afirmar"] é a declaração, pelo crente muçulmano, de que "só há um Deus e Maomé é seu profeta". Essa declaração é considerada o mais importante dos Cinco Pilares do Islam.

[7] Hizb al-Tahrir ["Partido da Libertação"]; partido internacional pan-islâmico, sunita, que visa a unir todos os países muçulmanos num Estado Islâmico unitário, um califato, regido por lei islâmica, com califa eleito por muçulmanos.

[8] Al-Muhajiroun ["Os emigrados"] uma das várias organições de muçulmanos que foram banidas da Inglaterra pelo "British Terrorism Act 2006".

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