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O Líbano luta para alcançar a Internet

 Imprimir Arabesq | 19/10/2011 A | A
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BEIRUTE, 18 de outubro de 2011 - Aboudy Nasrala dirige uma empresa bem sucedida de design no Líbano, mas quando se trata de comunicar-se com os clientes ao redor do mundo usando a Internet, ele sabe que deve ter muita paciência.

"Eu terminei recentemente uma campanha de marca para um novo restaurante no Qatar, mas teria sido mais fácil colocar meu trabalho em CD e enviá-lo por correio expresso", suspirou Nasrala, 34 anos, que tem a Pepsi e a Microsoft entre seus clientes.

"O que leva três dias por correio leva uma semana via Internet."

De acordo com dados recentemente publicados pelo speedtest.net, o Líbano está ao lado do  Afeganistão e do Sudão - entre os 172 países testados quanto à velocidade de Internet.

Esse resultado instigou a ira dos libaneses que são grandes consumidores de produtos tecnológicos modernos.

"No Líbano, você clica o botão enviar e vai fazer outra coisa", lamentou Nasrala. "Algo que leva 10 minutos para fazer em outro país leva um dia inteiro aqui."

Reagindo à demanda crescente dos consumidores e empresas de tecnologia, o ministério das telecomunicações, que controla 80% do mercado, lançou no início de outubro um projeto destinado a aumentar a velocidade da Internet em até oito vezes e reduzir seus custos.

Isso está sendo planejado através do aumento da participação do Líbano no cabo submarino de fibra ótica Índia, Oriente Médio e Europa Ocidental (IMEWE).

A crise política no país que reflete nas disputas entre os ministérios e o setor privado havia impedido a implementação do projeto mais cedo.

Preços Abusivos

Firas Abi-Nassif, assessor do ministro das Telecomunicações, Nicolas Sehnaoui disse que "o pacote mais barato, sendo oferecido hoje aos clientes custa 12 dólares (R$ 21) por 1 mega de velocidade, em vez dos 70 dólares (51 euros) cobrados anteriormente".

O próximo passo, seria a implantação de uma rede de fibra óptica nos próximos dois anos, de modo a aumentar a velocidade da Internet ainda mais.

No entanto a existência de velocidades maiores não compensa a deficiência da estrutura de telefonia que impede o acesso da população árabe à internet, mesmo que possa pagar pelo serviço.

Duas semanas depois do lançamento do projeto para uma Internet mais rápida, apenas 25% dos consumidores notaram alguma mudança, de acordo com uma pesquisa conduzida por um grupo no Facebook chamado "libanês quer Internet mais rápida", que conta com cerca de 50.000 fãs.

"Eles nos disseram que a Internet ficaria mais rápido a partir de 01 de outubro, mas não especificaram o ano", brincou um consumidor insatisfeito na página, enquanto outro disse: ". Somos de um país do terceiro mundo, continue sonhando"

Mas Abi-Nassif insistiu que a melhoria na velocidade de Internet viria gradualmente e que ele espera que o acesso da população à internet aumente em 40%.

Enquanto isso, o setor privado, que controla 20% do mercado, manifestou satisfação com o novo plano.

"O Estado vendia a conexão internacional à Internet por 2.700 dólares enquanto que na França custa 50 euros (69 dólares)", disse Habib Torbey, presidente do IDM, provedor de Internet no líbano.

"Hoje o preço caiu para 429 dólares e isso é bom para o mercado", acrescentou.

Mas apesar dos preços mais baixos, prestadores de serviços reclamam que o estado tem, basicamente, um monopólio sobre o setor, enquanto os fornecedores privados devem renovar as suas licenças anuais e pagar os impostos.

Eles insistem que o setor precisa ser privatizado, a fim de encorajar mais empresas estrangeiras a fazer negócios no Líbano.

"Muitas empresas estão se afastou pelo custo absurdo", disse Khaldoun Farhat, gerente geral da Terranet.

Uma internet mais rápida acelera a criação de empregos em um país que sofre fortemente da fuga de capital humano.

Para Marcos Daou, que dirige o grupo "libanês quer Internet mais rápida", o plano do governo está muito atrasado.

"Você precisa de um projeto ambicioso. O governo precisa entender que para a nossa geração, Internet é tão vital quanto água ou eletricidade", concluiu.

Com AFP

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