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Fayyad planta semente de Estado palestino paralelo a diálogo

 Imprimir Arabesq | 09/09/2010 A | A
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O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, está formando as bases econômicas e institucionais de um futuro Estado soberano para o verão de 2011, independentemente do resultado do novo diálogo de paz com Israel.

O plano de Fayyad, que acaba de chegar na metade de seus dois anos, tem como objetivo levantar as instituições e fortalecer a economia para o estabelecimento de um Estado palestino, ou seja, preparar sua chegada em vez de esperar que seja anunciada.

"Trata-se de transformar a ideia de estabelecer um Estado palestino em uma realidade que não possa ser ignorada", explicou recentemente Fayyad, ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial Na primeira parte do plano, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) construiu 16 estradas e pavimentou 40; criou 34 novas escolas e ampliou outras 23; abriu 11 novas clínicas e reformou outras 30; além de plantar 370 mil árvores, segundo o escritório de Fayyad.

Os números macroeconômicos aprovam o esforço com um crescimento de 7% na primeira metade do ano e uma redução de 18% a 20% do desemprego entre o último trimestre de 2008 e o de 2009, segundo dados do Banco Mundial.

"Existe uma recuperação, mas não queremos exagerar. Por enquanto tratamos de sair do profundo buraco no qual nos encontrávamos", diz Mohamad Mustafa, assessor econômico do presidente palestino Mahmoud Abbas e presidente do Fundo Palestino de Investimentos.

O Governo palestino também precisa enfrentar um déficit de US$ 1,200 bilhão, fruto do descumprimento de compromissos por parte dos doadores internacionais, sobre todo os países árabes, explicou Fayyad na semana passada.

Consciente da fragilidade que a dependência do exterior gera aos cofres palestinos, o primeiro-ministro marcou como objetivo deixar de depender de orçamentos estrangeiros em 2013.

A buraco seria compensado com um aumento da arrecadação tributária (que já alcançou 20%) e uma redução das despesas operacionais.

A partir de outubro alguns funcionários deixarão de ter carros e celulares de graça, algo que, além de comprometer as contas públicas, não ajuda a limpar a imagem de corrupção que pesa sobre a ANP.

As conquistas de Fayyad são apreciadas por uma grande parte dos palestinos e aplaudidas pela comunidade internacional, inclusive pelo presidente israelense, Shimon Peres, que as compara com as de David Ben Gurion na criação de um Estado judeu antes de 1948.

No entanto, entre o coro internacional que parabeniza as virtudes de Fayyad, surgiram algumas vozes contrárias.

Uma delas é a do centro de estudos estratégicos Carnegie Endowment for International Peace, que ressalta que "a compreensível admiração por Fayyad e seus esforços por reconstruir a Cisjordânia esconde uma perigosa regressão da democracia e dos direitos humanos".

Além do debate sobre as conquistas, que não afetam Gaza por estar sob controle do Hamas, os obstáculos de circulação, controle de acesso aos portos, aeroportos e água, domínio administrativo de 60% da Cisjordânia e a interminável burocracia da ocupação israelense impedem o nascimento de uma economia palestina competitiva.

"Enquanto existir a ocupação pouco poderemos fazer", reconhece Mustafa.

O Banco Mundial admite que "o crescimento econômico recente não será sustentável sem um crescimento impulsionado pelo setor privado, que depende da redução das restrições ao acesso e à circulação dentro da Cisjordânia".

Um exemplo foi a preparação do terreno para a urbanização de Al-Rihan, perto de Ramala, que normalmente levaria 25 dias, mas precisou de 200 porque não era permitido o uso de dinamites, já que Israel proíbe sua entrada na Cisjordânia.

A jornalista israelense Amira Hass opina, além disso, que a construção de novas estradas pela ANP reforça os planos de Israel de deixar quase dois terços da Cisjordânia para a expansão das colônias judias e "criar uma ilusão de soberania palestina sobre o restante".

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