O Discurso de Obama – A Hipocrisia de Sempre

Receita de O Discurso de Obama – A Hipocrisia de Sempre

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Abdel Latif Hasan Abdel Latif *

Há algo em comum entre o Presidente americano Obama e a maioria dos líderes árabes decadentes: discursos longos, promessas vazias e conduta hipócrita.

O último discurso de Obama, tão esperado, sobre a Primavera árabe e a situação no Oriente Médio é exemplo dessa semelhança.

Suas palavras sobre as mudanças nos países árabes e suas promessas de apoiar a transformação democrática naquela região não são novas.

Há dois anos, em seu discurso na Universidade do Cairo, Obama, de forma ainda mais eloqüente que no seu último discurso, prometeu uma nova política americana em relação ao mundo árabe e ao mundo muçulmano, baseada na Justiça, respeito mútuo, anunciando seu compromisso total de solucionar a questão palestina e congelar os assentamentos israelenses nos territórios árabes ocupados.

O resultado dessas palavras vazias são atos concretos de submissão incondicional à posição israelense.

No seu último discurso, Obama declarou apoio à criação de um Estado Palestino desmilitarizado nos territórios ocupados em 1967, mas nenhuma palavra pronunciou sobre as políticas de Israel, que de fato, destruíram qualquer possibilidade de criação de um Estado Palestino viável nesses territórios. 

Tampouco o presidente mencionou os mais de quatrocentos assentamentos judaicos, construídos ilegalmente em território palestino, com dinheiro americano.

Calou-se também sobre os mais de quinhentos mil colonos judeus fanáticos implantados, com apoio americano, na Palestina confiscada e ocupada.

Segundo Obama, os assuntos centrais, que dividem as duas partes, devem ser negociados, incluindo a questão da divisão de Jerusalém e o destino dos milhões de refugiados palestinos.

Parece uma declaração de um extraterrestre.

Os palestinos estão negociando com Israel há mais de vinte anos.

Durante essas longas décadas, Israel separou Jerusalém do resto da Cisjordânia, aumentou o confisco de terras e destruição de propriedades árabes e acelerou a construção de novos assentamentos destinados racista e exclusivamente para seus colonos judeus fanáticos, prática de evidente limpeza étnica.  Ou seja, Israel transformou os 22% que restaram de território da Palestina em vários mini bantustões ou guetos ou campos de concentração árabes, controlados totalmente por Israel.

O consenso internacional para a solução do conflito, adotado pela maioria absoluta dos países do mundo, resume-se no seguinte: retirada total e incondicional das forças de ocupação israelenses dos territórios árabes ocupados em 1967; Jerusalém ocidental para Israel e Jerusalém Oriental para a Palestina e uma solução justa para a questão dos refugiados palestinos, conforme as decisões da ONU, em especial a resolução 194.

Essas são as condições mínimas, sine qua non para uma paz duradoura. Devem ser implantadas, não negociadas. É o mínimo, inegociável.

Israel, com a total submissão americana, ignora o Direito Internacional, a opinião pública mundial e tenta impor termos de rendição para o povo palestino e a nação árabe.

O presidente americano, em seu último discurso, avisou que a comunidade internacional está cansada de um processo interminável, que não produz resultados.

Essas palavras mascaram o fato de que o impasse no chamado processo de paz entre árabes e israelenses é causado propositalmente pela intrasigência de Israel, que visa ganhar tempo para concluir sua limpeza étnica, criando cada vez mais fatos no solo e inviabilizando qualquer possibilidade de criar um Estado palestino viável.

Obama criticou o acordo entre os palestinos. Segundo ele, o acordo levanta profundas e legítimas questões em relação à segurança de Israel. Segundo ele, Israel não pode negociar com um partido que não reconhece seu direito de existir.

Essas palavras mostram a parcialidade tipicamente colonial e hipocrisia tipicamente imperialista.

Primeiro: Israel até hoje nunca definiu suas fronteiras a serem reconhecidas. A OLP já reconheceu o direito de Israel existir nas fronteiras de 1967, ou seja, em 78% da Palestina Histórica, mas Israel nunca reconheceu o direito dos palestinos a nenhuma porcentagem da Palestina histórica, tampouco o direito de autodeterminação.

O que Israel oferece é no máximo uma sub-chefia de um departamento,  que seria menos de 15% da Palestina, mantendo as questões de soberania, fronteiras, gestão de recursos naturais na mão  de Israel.  Isso não constitui um Estado, sem soberania não há Estado, há departamento.

Segundo: Obama mente, porque há várias declarações do Hamas, aceitando um Estado Palestino de 22% da Palestina histórica, ou seja, nos territórios de 1967, reconhecendo Israel de 78%.  A última declaração nesse sentido foi proferida pelo líder do Hamas, Khaled Meshal, durante a assinatura do acordo entre Hamas e Fatah, no Cairo, há menos de um mês.

Conforme Meshal, seu movimento concorda com a iniciativa de paz, que significa reconhecimento de Israel antes de 1967, criação de um Estado Palestino nos territórios ocupados em 1967, Jerusalém oriental capital da Palestina e solução da questão dos refugiados palestinos, conforme as resoluções da ONU.

Essa posição do Hamas é idêntica à da comunidade internacional, fato omitido por Obama e pela mídia ocidental, tornando-o ignorado às massas do ocidente.

Terceiro: No governo israelense, h&

Abdel Latif Hasan Abdel Latif