Por uma resistência não armada na Palestina

Receita de Por uma resistência não armada na Palestina

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Luciana Garcia de Oliveira
Comitê “Pelo Estado da Palestina Já!”

Na noite do dia 09 de novembro, o auditório do club Homs, em São Paulo, contou com a presença do ativista palestino, Abdallah Abu Rahmah, vindo diretamente do vilarejo de Bil’in na Palestina, palco de uma das mais surpreendentes manifestações de resistência não violenta já conhecida na história. A conferência foi inicialmente, precedida por uma breve apresentação sobre a história da Palestina, realizada pela jornalista Baby Siqueira Abrão.

No momento em que inicia a sua fala, Abdallah, relata sobre a tradição do movimento pacífico palestino, desde o mandato britânico, o que desmistifica a idéia de uma tática recente frente às repressões desencadeadas pelo Estado israelense. O movimento, por sua vez, visa amenizar o atual estado de confisco das terras palestinas que, até então, ocuparam territórios, provenientes de terras férteis para a agricultura, fonte aqüífera e gás natural. Tudo isso, por intermédio da construção de um enorme muro, chamado pelos palestinos de o “Muro da Vergonha”, responsável por toda limitação da rotina da sociedade palestina simbolizado pelos chamados checks points. Ao mesmo tempo, proporcionando uma sensação de “bem estar” aos colonos residentes nesses territórios, já que, em grande parte dos assentamentos judaicos, o muro impede propositadamente a visão aos vilarejos palestinos.

Particularmente, no vilarejo de Bil’in, a barreira consiste basicamente de uma enorme cerca de arame farpado, de modo à confiscar cerca de 58% do território e, da mesma forma, impedir toda a comunidade ao acesso às terras cultiváveis, sobretudo às oliveiras, principal fonte de renda da região.

Além da tentativa de impedir a expansão ilegal de terras palestinas, o movimento de resistência não armada vem demonstrando ao mundo uma total incapacidade do exército israelense em reprimir todos os ativistas envolvidos nessa idéia. Durante a apresentação, foram demonstradas fotos de diversos tipos de armamentos utilizados na repressão às manifestações, entre os quais, bala de ferro (como capacidade para quebrar ossos humanos), bombas de gás lacrimogêneo, bombas sonoras, água química e cassetetes. Desde o início das manifestações em Bil’in, centenas de manifestantes encontram-se presos nos presídios israelenses.

Em meio aos protestos diários, além do envolvimento da comunidade local, é possível depara-se com a presença de muitos ativistas da esquerda israelense (sobretudo advindos do grupo Gush Shalom de Uri Avnery), numa clara demonstração de coexistência. A criatividade dessas manifestações, em particular, atrai grande parte da mídia internacional. Segundo Abu Rahmah, durante os protestos, é possível visualizar os ativistas fantasiados de Avatars e a presença de covers de grandes pacifistas históricos, como Mahatma Gandhi e Nelson Mandela.

A repercussão das ações no vilarejo de Bil’in, ao mesmo tempo, trouxe uma apoio da comunidade internacional e, sem dúvidas, facilitou para um resultado favorável à uma longa batalha judicial do lado palestino. O que significou, ao final, no desmantelamento da cerca e da torre de vigilância. Uma vitória da esperança em prol da liberdade, justiça, paz e, sobretudo da possível coexistência.